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Biodiversidade brasileira atrai indústria de cosméticos internacional

33 indústrias brasileiras de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos participaram do Cosmoprof Worldwide na Itália, a maior e mais importante feira de beleza do mundo.

Escrito por Talk Science

02 AGO 2022 - 06H05

No final de abril, 33 indústrias brasileiras de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos participaram do Cosmoprof Worldwide Bologna, na Itália, a maior e mais importante feira de beleza do mundo. Dos produtos apresentados no evento, 63,6% usavam ingredientes da biodiversidade brasileira.

Esse número expressivo comprova o que um estudo da Technavio, empresa global de pesquisa e consultoria tecnológica, já havia apontado sobre ativos naturais em cosméticos. A estimativa até 2024 é que o mercado global de cosméticos veganos cresça o equivalente a R$ 18 bilhões. Neste contexto, o Brasil se destaca com uma lista incrível de ativos para beleza.

Dentre os ingredientes naturais mais utilizados pela indústria cosmética estão cacau, óleo de mamona, cumaru, óleo de palma e óleo de coco.

Usar ativos naturais do Brasil é uma grande vantagem competitiva, inclusive para a indústria internacional. O uso de cacau ou cumaru do Brasil em fórmulas de cosméticos é menos burocrático e mais barato do que o de outros ingredientes, por exemplo. Por isso, marcas americanas e europeias de maquiagem, produtos capilares e para a pele utilizam ativos brasileiros.

A americana Biossance, pioneira em clean beauty, usa a cana-de-açúcar brasileira para produzir esqualano vegetal, componente superhidratante. A francesa Kérastase utiliza óleo de castanha do Pará para nutrição e brilho dos fios de cabelo.

Clean Beauty

A alta demanda por ativos oriundos da biodiversidade gerou o termo clean beauty, que faz referência a cosméticos sustentáveis do ponto de vista social e ambiental. A legislação e as mudanças de comportamento dos consumidores, principalmente durante a pandemia, levaram grandes empresas do setor de cosméticos a repensarem estratégias e a investirem em sustentabilidade.

A francesa L’Oréal, por exemplo, aposta em um futuro mais limpo e seguro. Até 2030 e com uma abordagem de “ciências verdes”, a gigante europeia espera utilizar cerca de 95% de ingredientes originários de fontes renováveis ou de processos circulares.

O crescimento do clean beauty, no entanto, levanta uma discussão sobre a capacidade da natureza de suprir a demanda da indústria da beleza. A possível escassez de ativos já levou pesquisadores a desenvolverem ingredientes sintéticos livres de impactos ambientais e de toxinas. Neste sentido, a Sociedade Brasileira de Dermatologia define como “beleza limpa” não necessariamente insumos de origem natural, mas todos aqueles isentos de prejuízos ao meio ambiente e à saúde.

Certificações

Além da comprovação da origem e da qualidade dos ativos, a indústria da beleza limpa também busca garantir a segurança em toda a cadeia de produção. O mercado observa premissas como políticas de reciclagem bem desenvolvidas, produtores certificados e estratégias de engajamento para que o consumidor também faça parte dessa rede de forma sustentável. A partir daí, surgem as certificações.

No Brasil, a Ecocert realiza a certificação de cosméticos orgânicos e naturais através do referencial Cosmos, uma norma adaptada pela Ecocert Greenlife. O grupo é associado ao Instituto Brasil Orgânico e credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. As marcas que possuem o selo fazem parte de um programa que ajuda empresas a se conectarem com operadores de coleta e triagem ao mesmo tempo em que auxilia os consumidores a escolherem produtos de fabricantes conscientes.

Fonte: Apex Brasil, Cosmetics Online, Forbes e Cosmetic Innovation.

Fonte: Apex Brasil, Cosmetics Online, Forbes e Cosmetic Innovation

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