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FCE Pharma e FCE Cosmetique prometem atrair 12 mil visitantes

Escrito por Talk Science

30 NOV 2021 - 19H36 (Atualizada em 30 NOV 2021 - 19H42)

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Depois de quase dois anos, as indústrias farmacêutica e de cosméticos voltaram aos pavilhões do São Paulo Expo nesta terça-feira, dia 30 de novembro. Numa área de 40 mil m², 400 expositores mostram as novidades e inovações dos setores.

Com 25 anos de história, a FCE Pharma é o principal evento de negócios da indústria farmacêutica no país, um setor que se tornou ainda mais relevante, depois da pandemia. No mundo, o mercado farmacêutico faturou 1,74 trilhões de dólares em vendas em 2020, e tem no Brasil seu principal mercado dentro da América Latina.

O presidente da NürnbergMesse Brasil, João Paulo Picolo, ressalta a importância do retorno às feiras presenciais para ambos os setores. “São mercados relevantes no PIB brasileiro. Encontros como esse estimulam os negócios e ajudam a movimentar a economia brasileira”, afirma.

Os expositores também estão otimistas com a volta dos eventos presenciais. De acordo com Caio Tourinho, responsável pelo marketing da Sciex, estar na FCE Pharma é importante para voltar a ter contato olho no olho com os clientes. “Após 2 anos, vir à feira é fundamental para aprimorar os negócios. A expectativa é que a empresa possa ter um ótimo evento”, afirma.

Rodada de negócios da FCE Pharma e FCE Cosmetique movimentou R$ 8,4 milhões 

A FCE Cosmetique e FCE Pharma abriram as portas com uma rodada de negócios que contou com empresas dos setores de cosméticos, farmacêutico e de química analítica. A rodada teve a participação de 36 players, sendo 22 empresas compradoras e 14 expositores. Entre as companhias presentes estavam Comtec, JustForYou, Nanovetores Group, Engenharia de Laboratório, Charles Rivers Laboratório, Fette Compacting, Embacaps, entre outras. Com resultado auditável, a rodada, que durou 2 horas e teve 107 reuniões, movimentou 8.4 milhões de reais em negócios.

Para Janaína Frasson, executiva comercial da Nanovetores Group, o contato mais direto entre as empresas facilita os acordos. “Eu consegui fechar negócio com uma empresa que eu já tinha conversado anteriormente via email, mas foi aqui na feira, presencialmente, que a gente conseguiu assinar o contrato”, afirma. A experiência foi positiva também para o coordenador de P&D da JustForYou, Alex Domingos. “Participar da rodada de negócios foi crucial dentro dos objetivos da companhia, já que através dela é possível estabelecer relacionamento mais íntimo com os fornecedores e conhecer novas tendências”, conclui.

“Colágeno vai além da estética”, afirma pesquisadora

A FCE Cosmetique promoveu o Fórum de Nutracêuticos, Funcionais e Suplementos. Entre os destaques, estava a palestra da nutricionista, engenheira de alimentos, pesquisadora e doutora em nutrição, Geórgia Castro, que mostrou ao público a importância da suplementação com peptídeos bioativos de colágeno.

A pesquisadora mostrou que a ação do peptídeo de colágeno específico para a pele, garante o aumento da elasticidade, hidratação, diminuição das rugas e celulite, além de fortalecer as unhas. “Não se trata de estética, estamos lidando com a saúde. Voltar aos eventos presenciais falando de um assunto tão importante foi incrível. O primeiro dia de evento mostrou um nível técnico e científico impressionante”, afirmou.

A farmacêutica, Daniela Cardoso Navas, veio de Descalvado, interior de São Paulo, para acompanhar a feira e se mostrou encantada com as novidades deste “novo normal”. Para ela, as palestras silenciosas em que o público usa fone de ouvido para assistir aos palestrantes foram excelentes. “Me concentrei mais, fiquei mais atenta e não perdi o foco. Estou ansiosa para os próximos dias”, destacou.

Painel reúne especialistas para discutir legalização de cannabis medicinal

Um tema polêmico e necessário fez parte do painel de abertura da FCE Pharma 2021. O WNTC (We Need to Talk about Cannabis) reuniu autoridades e especialistas da área da saúde para debater a legalização de cannabis para uso medicinal.

O presidente-executivo da ABIQUIFI, Norberto Prestes, foi o mediador do painel que recebeu presencialmente o ex-presidente da Anvisa, Willian Dib e, de forma on-line, o deputado federal Luciano Ducci, relator do PL 399/15, que prevê a regulamentação do plantio de maconha, para fins medicinais e a comercialização de medicamentos que contenham extratos, substratos ou partes da planta.

Prestes começou a conversa chamando a atenção do público para o aumento de 2400% de pedidos que a ANVISA recebeu para importação de produtos derivados de cannabis, nos últimos 6 anos. “A demanda começou com poucas famílias que precisavam usar a substância e, agora, vem ganhando força com a ajuda do legislativo para ajudar mais pessoas. Parabenizo os realizadores da feira pela disposição de encarar esse tema tão importante”, elogiou.

O deputado Luciano Ducci explicou ao público o panorama geral, desde quando protocolou o PL 399/15 com a realização de várias audiências públicas ouvindo pacientes, especialistas, médicos e conhecendo a regulamentação de outros países. De acordo com Ducci, o mercado mundial é muito forte. “Para se ter uma ideia, se a planta for cultivada e o insumo produzido no Brasil, o custo do medicamento pode cair cerca de 30%”.

Willian Dib, ex-presidente da ANVISA, falou sobre a necessidade de mudar o comportamento da sociedade para que o tema não seja mais visto como um tabu. “Quando eu cheguei na ANVISA, eu confesso que não sabia nada sobre cannabis. Foi a pressão da sociedade que fez com que a gente se mexesse e entendesse o que estava acontecendo diante de tantos pedidos de importação e ações judiciais”, relembrou.

Em sua fala, Dib afirmou que é mais fácil e seguro fazer pesquisa com cannabis do que com paracetamol. “Isso preenche um vazio na área médica que é extremamente importante.

Precisamos dessa legislação para que este assunto tenha avanço. Nós devemos insistir na pesquisa, e a ausência disso é quase que um pecado para a ciência e para a economia do Brasil”, ressaltou.

PÓS-COVID

O WNTC também contou com a participação da Diretora Médica, InterCan – International Cannabis Academy, Carolina Nocetti, que chamou a atenção do público para o potencial financeiro da cannabis. “A estrela não é a planta e sim o sistema. E o importante é como a gente manipula esse sistema”, destacou.

Carolina comentou ainda a importância do uso medicinal para o sistema imunológico, além dos benefícios para dor, ansiedade e depressão. “Somos o país que mais consome Rivotril no mundo e estamos entre os cinco países que mais apresentam quadros de depressão. Ou seja, não é só a síndrome pós-Covid. Temos outros fatores que devem ser considerados”, pondera.

No encerramento do WNTC, o gerente de medicamentos específicos, notificados, fitoterápicos, dinamizados e gases medicinais da ANVISA, João Paulo Silverio Perfeito, apresentou ao público como funciona a avaliação da Anvisa e reforçou que ela não pode ser entendida como barreira técnica ou burocrática. “Temos um motivo para ser assim e precisamos ser criteriosos para que não restem dúvidas sobre a eficácia e qualidade do produto”.

De acordo com Perfeito, houve aumento expressivo no número de pedidos. Em 2015 foram 902 pedidos e, somente este ano, até outubro foram mais de 22 mil produtos derivados da cannabis. “Temos aprendido e trocado muita informação em todo esse processo. É uma decisão nova e tudo que é novo, traz dúvidas, por isso esse encontro é tão importante”, reforçou.

   

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