Indústria Cosmética

Beleza Inclusiva

Conheca esse conceito tendência na indústria cosmética

Escrito por Talk Science

16 DEZ 2021 - 10H00 (Atualizada em 16 DEZ 2021 - 10H01)

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A beleza sempre foi muito importante para os brasileiros. Prova disso é que o país é o quarto maior mercado de beleza e cuidados pessoais do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Japão, segundo pesquisa de 2019 do Euromonitor International. E nem nos momentos de crise, como a pandemia do COVID-19, isso mudou. Apesar do cenário difícil, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, esse setor cresceu 5,8% em 2020 em relação ao ano anterior. Entre janeiro e dezembro de 2020, por exemplo, os maiores aumentos foram nos produtos de cuidados com a pele (+21,9%), perfumaria (+8,4%) e shampoo (+7,9).

Porém, muita coisa, sim, mudou. E nisso nasceu o movimento da beleza inclusiva, com o principal objetivo de chegar a certas pessoas e padrões que a antiga estética não alcançava. Agora, há opções para atender a necessidades específicas e que desconstroem as imagens que eram idealizadas. Os consumidores, que antes apenas aceitavam o que era imposto pelas marcas, passaram a mandar no negócio.

Mas ainda há muito o que mudar. Com a ajuda da Maria Rita Rezende, pós-graduada em Cosmetologia e presidente do Conselho da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC), vamos conhecer mais sobre o conceito de beleza inclusiva, suas transformações e os desafios que esse mercado tem pela frente.

O QUE É BELEZA INCLUSIVA?

Nos últimos anos, a inclusão tem sido um dos focos importantes da indústria cosmética, que tem buscado desenvolver o seu leque de produtos, se inspirando no movimento da beleza multicultural. Isso significa, cada vez mais, encontrar facilmente no mercado produtos sem gênero, sem etnia, sem idade, horizontalizando ao máximo o universo dos consumidores. É a hora e a vez da beleza plural, uma beleza que desconstrói os clássicos padrões inatingíveis que vieram por anos e anos moldando a sociedade e forçando certos tipos de comportamento, principalmente através da mídia e da publicidade.

“Antes, as agendas da moda e da indústria ditavam os padrões a serem adotados e impunham o glamour hollywoodiano, dominado pelas peles alvas, cabelos loiros e a eterna juventude”, comenta Maria Rita Rezende.

MUDANÇAS TRAZIDAS PELO MOVIMENTO DA BELEZA INCLUSIVA

Com o passar dos anos, as empresas e marcas foram e vêm se ajustando a todas as mudanças de mercado e comportamento dos consumidores. Com isso, a variedade de produtos oferecidos aumentou exponencialmente, se adaptando e até contribuindo para diversificar o conceito de beleza, buscando, cada vez mais, uma receptividade dos clientes da companhia.

Grandes e já bastante conhecidas marcas perceberam a força desse movimento e estão se preocupando em refletir essa preocupação pela beleza inclusiva em todos os seus produtos, de dentro para fora. E isso se reflete tanto nas embalagens, na composição dos itens, nas formas de produção e, principalmente, na maneira de se comunicar com o seu atual – e potencial – público. Segundo Maria Rita, a divulgação de imagens com mínimo de edição, sem filtros e uma conexão mássica nas redes sociais têm contribuído para aumentar a conscientização, a percepção da beleza inclusiva e a autoestima.

“Por exemplo, agora, estão sendo contratadas embaixadoras que personalizam modelos não-conformistas, em termos de idade, de etnia, de gênero, de sexualidade, compondo, dessa forma, um universo não-uniforme”, explica a presidente do Conselho da ABC. “Se, anteriormente, a indústria definia padrões de beleza, hoje percebemos espaço para outras representações e desejos, refletindo o mérito da naturalização das pessoas divergentes, para um novo olhar da mídia e da sociedade”, fala.

TODXS SÃO BEM-VINDXS

Uma beleza divergente e que abrange os mais diferentes tipos de pessoas, sem utilizar as velhas percepções distorcidas da indústria cosmética sobre envelhecimento, tipos de cabelos, diferenças de constituição de pele e formas corporais. Não é mais tempo de um universo idealizado, para as pessoas de todos os gêneros.

Autenticidade e aceitação parecem ser as palavras de ordem nesse campo. “A fluidez de gênero está cada vez mais presente nos anúncios publicitários de marcas de beleza e essa aceitação do produto sem gênero reflete em como a sociedade vê a beleza na atualidade. O consumidor que está cada vez mais consciente do outro, buscando encontrar uma maneira de coexistirmos, apesar de todas as nossas diferenças”, afirma Maria Rita. Nesse sentido, existe o movimento de estética genderless, que é a estética sem gênero, que aproxima os universos masculino e feminino, sem se prender em categorias pré-estabelecidas.

Ao mesmo tempo, dentro da beleza inclusiva, surge uma grande demanda de produtos específicos para atender a certas características, como é o caso das pessoas com mais idade e que se libertaram das tinturas de cabelo e que hoje querem manter os cabelos grisalhos saudáveis e bonitos. Outro caso de grande oportunidade para o mercado são os produtos para atender o universo étnico, especialmente de peles negras e de tons de peles mais escuros. De acordo com Maria Rita, “os tons de peles mais escuros, além das negras, representam cerca de 56% da população brasileira. E elas querem que as marcas possam ir além de apenas criar cores de base e maquiagem e produtos para o cabelo. Elas também requerem variações de cosméticos que atendam às necessidades das suas peles; cosméticos com texturas e performances adequadas”.

FUTURO DA BELEZA INCLUSIVA

Apesar de existir uma evolução na beleza inclusiva, ela ainda é lenta. Mas cada dia mais estão surgindo novos movimentos e oportunidades para fazer com que todos se sintam vistos, contemplados e fazendo parte de um mesmo universo. A indústria da beleza tem percebido que chegou a hora de se alinhar com os novos tempos, modalidades e parâmetros e que é necessário ir além dos cosméticos, respeitando a beleza de cada indivíduo, seja ele do jeito que for.

“A trajetória da beleza tem buscado mostrar que beleza é muito mais do que ter um rosto e um corpo, dentro de padrões tradicionais decantados pela sociedade, cujo objetivo permanente ainda é a perfeição idealizada. O que está acontecendo hoje é um repensar da beleza”, conclui a presidente do Conselho da ABC.  

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