Indústria farmacêutica

Saiba quais as principais inovações tecnológicas na produção de vacinas

Conheça um pouco mais sobre a história e também sobre os desafios da atualidade na produção de vacinas!

Escrito por Talk Science

11 AGO 2021 - 14H37 (Atualizada em 11 AGO 2021 - 15H24)

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As vacinas são um dos mais importantes avanços da medicina e a sua crescente disponibilidade no último século transformou a saúde humana. Antes delas, os efeitos de uma doença poderiam ser catastróficos: populações inteiras eram devastadas por enfermidades que poderiam ser evitadas.

Com a pandemia de COVID-19, mais uma vez, a importância e o grande impacto das vacinas na sociedade foram lembrados e voltaram a ser tema principal de conversas e debates. Hoje, a vacinação está em primeiro lugar como forma de prevenção de diversas doenças, mas ainda é preciso investimento e melhorias como mostra nesse bate-papo Gyvair Molinari, diretor de negócios da Cytiva, líder global em ciências biológicas.

Conheça um pouco mais sobre a história e também sobre os desafios da atualidade na produção de vacinas!

COMO AS VACINAS SÃO DESENVOLVIDAS?

Elas são uma forma de imunização ativa, ou seja, quando o próprio corpo vai produzir os anticorpos para combater doenças. O que as vacinas fazem é justamente estimular essa produção, levando para dentro do organismo o agente causador de uma enfermidade específica (que pode estar atenuado ou inativado) ou substâncias que o esse mesmo agente produz. Além dos anticorpos, o sistema imunológico também produz células de memória, garantindo, assim, que quando o indivíduo entrar em contato novamente com o agente, seu corpo já possa responder de uma forma mais rápida, não desenvolvendo nem sintomas da enfermidade.

Desenvolver uma vacina não é fácil, pois não pode haver efeito colateral perigoso nas pessoas que receberem a dose. Por isso, são realizados longos testes clínicos, em laboratório, animais e posteriormente em humanos. O executivo Gyvair Molinari explica que a eficácia depende também do nível de exposição àquele vírus, que deve ser alta o suficiente para provar sua proteção completa. Vale destacar ainda que cada vacina tem um processo de produção único e é necessário desenvolver um novo processo do zero a cada nova doença a ser combatida.

VIDAS SALVAS PELA VACINAÇÃO

De acordo com estimativas da OMS, atualmente, a vacinação em massa evita, pelo menos, quatro mortes por minuto no planeta. Doenças como sarampo, difteria, pneumonia, poliomielite e rubéola foram utilizadas no estudo da entidade. Ainda segundo a OMS, as vacinas evitam de dois a três milhões de mortes por ano. E até conseguiriam salvar mais 1,5 milhão de vidas se houvesse uma aplicação mais expandida.

A Universidade de Oxford, no Reino Unido, afirma que houve uma redução significativa no número de crianças mortas por enfermidades para as quais já existem vacinas. No ano de 1990, foram 5,5 milhões de falecimentos, enquanto que, em 2017, 1,8 milhão.

DOENÇAS ERRADICADAS PELAS VACINAS

Infelizmente, a varíola é a única enfermidade infecciosa que foi possível ser erradicada através da vacinação. No mês de outubro de 1977 foi a última vez em que um caso de contaminação natural por varíola foi registrado. Três anos mais tarde, em 1980, a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que a doença estava erradicada em todo o mundo.

Porém, inúmeras enfermidades podem ser prevenidas e vidas podem ser salvas com a vacinação, como sarampo, poliomielite, febre amarela, rubéola, tétano, difteria, coqueluche, hepatite B e até a gripe.

No Brasil, com o Programa Nacional de Imunizações (PNI), o perfil epidemiológico das doenças imunopreveníveis mudou completamente. A eliminação da poliomielite, rubéola e da síndrome da rubéola congênita comprovam isso. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece 18 vacinas, totalmente gratuitas, para crianças e adolescentes.

IMPACTO ECONÔMICO DAS VACINAS

Um grupo de 21 pesquisadores, em 2017, também fez o cálculo das perdas geradas por dez enfermidades que a vacinação pode evitar em 73 países em desenvolvimento e que têm o suporte da Aliança Global para Vacinação e Imunização (Gavi). A partir dos valores de internação, remédios e transporte e ainda perda de produtividade, entre outros aspectos, no total, a economia estimada foi de US$ 45 milhões por dia.

De acordo com as estimativas, o programa de vacinação ajuda a impedir 350 milhões de casos de enfermidades, 14 milhões de morte e 8 milhões de incapacidade permanente.

Além disso, é vastamente aceito que a vacinação é uma maneira eficaz e econômica de prevenir doenças. “Estima-se que cada dólar gasto em uma vacina é equivalente a 10-20 dólares que teriam sido gastos na terapia da doença, se a vacina não estivesse disponível”, fala o diretor de negócios da Cytiva, Gyvair Molinari.

DESAFIOS NO DESENVOLVIMENTO E NA PRODUÇÃO DE VACINAS

Mesmo com tantos benefícios já trazidos pelas vacinas, ainda há muito o que evoluir. Gyvair Molinari aponta a dependência de métodos e tecnologias de produção antigos, cepas emergentes de doenças e escassez nos países em desenvolvimento como grandes ameaças à saúde global.

Por um lado, o baixo custo da vacina é benéfico. Por outro, é mais um dos obstáculos que os fabricantes de vacinas enfrentam. Pelo fato de serem mais baratas em comparação a outros biofármacos, o valor de produção é uma parte significativa do custo total, gerando uma grande pressão sobre os produtores dos mesmos.

Além disso, no orçamento de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), ainda há outra questão importante. As vacinas competem com outras terapêuticas mais lucrativas e que requerem ensaios clínicos menos complexos, então fica muito complicado encontrar o equilíbrio entre produzir vacinas acessíveis e ao mesmo tempo ter sucesso do ponto de vista comercial.

Vale lembrar que mesmo depois de ter investido no desenvolvimento de uma vacina, é necessário um investimento contínuo para garantir que ela permaneça eficaz, para não ameaçar a taxa de vacinação e o efeito de imunidade de rebanho.

FUTURO DAS VACINAS

Inovação. Para o executivo Gyvair Molinari essa é a palavra para ajudar a diminuir os custos da produção das vacinas e encontrar um equilíbrio econômico. “Muitas vacinas atualmente no mercado foram desenvolvidas há muito tempo usando tecnologias antigas e os fabricantes estabelecidos muitas vezes não querem mudar suas tecnologias de produção. Para empresas mais novas que estão entrando nesta área, há uma oportunidade de desenvolver processos novos e inovadores que sejam mais econômicos ou forneçam uma vacina de alto rendimento”, explica.

Atualmente, as empresas estão buscando métodos mais avançados de desenvolvimento e fabricação, como o uso de partículas semelhantes a vírus, RNA mensageiro e vetores virais. Quem encontrar processos novos e inovadores, que tragam mais economia e gerem vacinas de alto rendimento, terá grande espaço nesse setor.

Apesar dos desafios, é um momento marcante na história da fabricação de vacinas. À medida que a compreensão do sistema imunológico continua a melhorar, o mesmo acontecerá com as tecnologias. As vacinas devem ser usadas não apenas para a prevenção de doenças, mas também para o tratamento. Hoje em dia, já existem ensaios clínicos em andamento que usam novas tecnologias para matar células cancerosas e tratar doenças que já se desenvolveram.

“Estamos entrando em uma nova era e, agora mais do que nunca, precisamos de ideias brilhantes, inovação real e novas perspectivas”, afirma o diretor de negócios da Cytiva.

NOVAS TECNOLOGIAS

Uma série de oportunidades se apresenta para os fabricantes que desejam fornecer vacinas mais seguras, eficazes e econômicas. Como disse o diretor de negócios da Cytiva, é preciso inovar e acompanhar tudo o que está acontecendo no mundo farmacêutico.

Uma das estratégias utilizadas hoje em dia é o acompanhamento e o uso de insumos e produtos do mundo terapêutico, já que eles podem se tornar aliados no desenvolvimento de novas vacinas, como os inibidores de checkpoint (que desbloqueiam o sistema imunológico).

Gyvair Molinari aponta também que os sistemas de cultura de microcarregadores são um meio atraente de crescimento de células de mamíferos. A técnica é comprovada na produção de vacinas e diminui os custos do meio de cultura e do soro, a da mão de obra e ainda reduz o risco de contaminação. No processamento downstream, a ultrafiltração e a cromatografia líquida alcançam altas recuperações de produtos finais puros e seguros.

Por fim, o especialista complementa que a Cytiva está totalmente equipada para atender essas demandas de mercado. “Nossos produtos de cromatografia são usados na purificação de 90% de todos os biofármacos aprovados pelo FDA, incluindo novas vacinas, e cerca de 70% de todas as proteínas em escala laboratorial. Nosso portfólio inclui produtos para cultura celular em escala piloto e de produção, cromatografia e sistemas de filtração por membrana que estão em uso constante em todo o mundo, provando ser um meio confiável e econômico para a produção de vacinas virais para a saúde humana e animal” diz.

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