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Vírus podem ser a solução para combater a resistência antibacteriana

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Escrito por Talk Science

29 JUN 2022 - 11H19

Os vírus que atacam bactérias podem ser a saída para o problema crescente da resistência antibacteriana. Essa solução remete às fórmulas que as empresas farmacêuticas produziam há mais de 100 anos, época em que muitos produtos continham vírus na tentativa de combater infecções bacterianas. Em 1919, o médico franco-canadense Felix d'Herelle batizou esses microrganismos como bacteriófagos, ou seja, devoradores de bactérias.

A partir de 1928, com o início da era dos antibióticos, muito mais eficazes e simples de se produzir em escala industrial, muitos pensaram que as infecções não seriam mais um problema para a humanidade.

Os bacteriófagos estão presentes aos bilhões no corpo humano, mas não são capazes de causar infecção nas células. Seus inimigos naturais são as bactérias e, por isso, podem ser a saída para a resistência antibacteriana, já que podem infectar todos os gêneros bacterianos, incluindo cianobactérias, arqueobactérias e micoplasmas.

Na última década, foram realizados esforços para conduzir estudos mais detalhados a respeito da utilização de bacteriófagos no controle de infecções. Além do uso direto para controle ou prevenção de infecções, pesquisas em várias partes do mundo têm demonstrado que enzimas produzidas pelos bacteriófagos podem ser administradas diretamente em infecções como tratamento principal ou adjuvante.

Superbactérias

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou a resistência de bactérias a antibióticos como um dos problemas de saúde pública mais urgentes do século 21. Algumas delas, batizadas de superbactérias, são resistentes a todos os antibióticos disponíveis. A OMS chegou a estimar que mais de 10 milhões de pessoas podem morrer até 2050 caso soluções não sejam desenvolvidas contra as bactérias. Atualmente, estima-se que aproximadamente 700 mil pessoas morram todos os anos de infecções não tratáveis, causadas por superbactérias. A OMS calcula que em 2050 morram mais pessoas ao ano devido a infecções resistentes a antibióticos do que por câncer.

De acordo com a International Society for Viruses of Microorganisms (ISVM), há uma tendência crescente de aumento do emprego de bacteriófagos e seus subprodutos no enfrentamento de diferentes infecções.

No Brasil, um grupo de pesquisadores da USP de Ribeirão Preto isolou novos vírus que atacam exclusivamente bactérias e obteve sucesso ao utilizá-los na redução da contaminação bacteriana em tubos endotraqueais usados na intubação de pacientes. O estudo teve a participação de pesquisadores da Universidade do Minho, em Portugal, e da Universidade de Innsbruck, na Áustria.

Em alguns países europeus, o uso terapêutico de bacteriófagos é de longa tradição. Na Polônia, o Phage Therapy Unit desenvolve pesquisas e diferentes formas de uso da chamada fagoterapia. Outros estudos têm revelado aplicações biotecnológicas inovadoras para os bacteriófagos, como veículos de administração de fármacos, no tratamento de doenças como Alzheimer, Parkinson e câncer.

A maior desvantagem do uso de terapias com bacteriófagos é o menor espectro de ação do que os antibióticos. Ou seja, enquanto os antibióticos são capazes de matar várias espécies bacterianas, eles têm um alvo específico. Outro aspecto que os pesquisadores agora estudam é superar a possibilidade de as bactérias se tornarem também resistentes aos bacteriófagos. Nesse caso, uma das saídas seria a manipulação genética desses vírus.

Fonte: ICTQ e El País

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