Biobancos

Por que investir na acreditação de biobancos fortalece a pesquisa científica

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Escrito por 21brz

09 JUL 2026 - 09H45 (Atualizada em 06 AGO 2026 - 22H53)

Os biobancos desempenham um papel cada vez mais estratégico para o avanço da ciência. Responsáveis pela coleta, processamento, armazenamento e disponibilização de materiais biológicos e seus dados associados, eles sustentam pesquisas que impulsionam o desenvolvimento de novos medicamentos, diagnósticos, terapias e iniciativas de medicina personalizada.

À medida que cresce o número de estudos multicêntricos e de colaborações internacionais, aumenta também a necessidade de garantir que essas amostras sejam preservadas com qualidade, rastreabilidade e segurança. Afinal, a confiabilidade de uma pesquisa depende diretamente da integridade do material biológico utilizado.

É aí que entra a acreditação de biobancos, que se tornou um importante indicador de competência técnica e qualidade. Mais do que demonstrar conformidade com normas internacionais, ela fortalece a confiança entre instituições de pesquisa, indústria, órgãos reguladores e agências de fomento, contribuindo para uma ciência mais robusta e reprodutível.


O que significa acreditar um biobanco?

Embora os termos sejam frequentemente utilizados como sinônimos, certificação e acreditação possuem objetivos diferentes. Enquanto a certificação comprova que uma organização atende aos requisitos de uma norma de gestão, a acreditação avalia também sua competência técnica para executar determinada atividade.

No contexto dos biobancos, isso significa que a avaliação não se limita à documentação ou aos procedimentos administrativos. Organismos independentes analisam toda a operação da instituição, verificando desde a coleta e o processamento das amostras até seu armazenamento, transporte, rastreabilidade e disponibilização para pesquisa.

Essa abordagem garante que os materiais biológicos sejam manipulados de forma padronizada, preservando suas características e reduzindo riscos que possam comprometer a qualidade dos estudos científicos. Ao mesmo tempo, demonstra que o biobanco possui processos consistentes, equipe qualificada e infraestrutura adequada para atender aos padrões internacionais.

Na prática, a acreditação representa um selo de confiança que fortalece a credibilidade institucional e amplia as possibilidades de participação em projetos colaborativos nacionais e internacionais.


O papel da ISO 20387 na gestão de biobancos

Publicada em 2018, a ISO 20387 tornou-se a principal referência internacional para a acreditação de biobancos. Diferentemente de normas voltadas exclusivamente para sistemas de gestão da qualidade, ela foi desenvolvida especificamente para organizações que realizam o biobanco de materiais biológicos.

Seu principal objetivo é assegurar que essas instituições possuam competência técnica para coletar, processar, preservar, armazenar e distribuir amostras biológicas de maneira consistente, garantindo sua adequação para uso em pesquisa e desenvolvimento.

A norma estabelece requisitos relacionados à estrutura organizacional, gestão da qualidade, imparcialidade, competência das equipes, rastreabilidade das amostras, cadeia de custódia, controle de riscos, infraestrutura, equipamentos e validação dos processos. Dessa forma, promove uma visão integrada da operação, em que cada etapa influencia diretamente a qualidade do material disponibilizado.

Outro aspecto importante é que a ISO 20387 estimula uma cultura de melhoria contínua, incentivando o monitoramento constante dos processos e a adoção de práticas que aumentem a confiabilidade das coleções biológicas. Esse conjunto de requisitos tornou a norma uma referência global para instituições que desejam fortalecer sua governança e ampliar sua inserção em redes internacionais de pesquisa.


Benefícios da acreditação para pesquisa, indústria e saúde

Os benefícios da acreditação vão muito além da conformidade com uma norma. Para a comunidade científica, ela representa maior confiança na qualidade das amostras utilizadas em estudos, favorecendo a reprodutibilidade dos resultados e reduzindo variabilidades decorrentes de diferenças nos processos de coleta e armazenamento.

Esse nível de padronização também facilita o compartilhamento seguro de materiais biológicos entre diferentes instituições, fortalecendo pesquisas colaborativas e ampliando o potencial de descobertas científicas. Em um cenário no qual grandes projetos frequentemente envolvem centros de pesquisa distribuídos em diversos países, essa interoperabilidade torna-se um diferencial estratégico.

Para a indústria farmacêutica, de biotecnologia e de diagnósticos, trabalhar com biobancos acreditados reduz riscos durante o desenvolvimento de novos produtos e aumenta a confiabilidade das etapas de pesquisa pré-clínica e clínica. A qualidade das amostras influencia diretamente a robustez dos dados obtidos e, consequentemente, a segurança das decisões tomadas ao longo do desenvolvimento de medicamentos, testes diagnósticos e terapias inovadoras.

A acreditação também fortalece a imagem institucional perante agências de fomento, parceiros estratégicos e órgãos reguladores, ampliando oportunidades de financiamento e de participação em projetos de cooperação científica. Em um ambiente cada vez mais orientado por qualidade e transparência, esse reconhecimento representa um importante diferencial competitivo.


Os principais desafios para conquistar a acreditação

Apesar de seus benefícios, alcançar a acreditação exige planejamento e comprometimento institucional. Um dos maiores desafios é a padronização dos processos, garantindo que todas as etapas da rotina operacional sejam executadas de maneira consistente, independentemente da equipe envolvida.

A gestão documental também desempenha papel central nesse processo. Procedimentos operacionais, registros, evidências e controles precisam estar organizados e permanentemente atualizados para assegurar a rastreabilidade das atividades e facilitar auditorias.

Outro ponto importante é o investimento contínuo na capacitação das equipes. A competência técnica dos profissionais é um dos pilares da ISO 20387, tornando indispensável a realização de treinamentos periódicos e programas de atualização.

Além disso, infraestrutura adequada, equipamentos qualificados, validação dos processos, auditorias internas e uma cultura voltada para a melhoria contínua fazem parte da jornada rumo à acreditação. Embora esse processo demande investimentos, seus resultados costumam gerar ganhos duradouros em qualidade, eficiência e reconhecimento institucional.


Acreditação como investimento no futuro da ciência

A acreditação de biobancos deixou de ser apenas um diferencial institucional para se consolidar como um importante requisito de confiança científica. Em um cenário marcado pela crescente colaboração entre instituições e pelo avanço da pesquisa biomédica, garantir a qualidade, a rastreabilidade e a integridade das amostras tornou-se essencial para produzir conhecimento confiável e gerar inovação.

Investir em sistemas de gestão alinhados à ISO 20387 fortalece a governança dos biobancos, amplia oportunidades de cooperação nacional e internacional e contribui para o desenvolvimento de pesquisas mais seguras, reprodutíveis e relevantes para a sociedade.

No Biobank Brasil Summit, pesquisadores, gestores e profissionais do setor encontram um ambiente dedicado à troca de conhecimento, às inovações em gestão de coleções biológicas e às tecnologias que estão transformando a pesquisa científica. Participar da feira é uma oportunidade de conhecer soluções alinhadas às melhores práticas internacionais e acompanhar de perto as tendências que impulsionam o futuro dos biobancos.

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